Matrimônio: uma marca de categoria
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05 DE DEZEMBRO DE 2011
Uma das confusões actuais tem a ver com o matrimônio, pelo que necessitamos luz que nos defina que é o que devemos pensar sobre tal estado. Encontro que tem uma pasagem na Bíblia esclarecedora a respeito e é a siguinte:
'Honroso seja em todos o matrimônio e o feito sem mancha; mas aos fornicadores e aos adúlteros os julgará Deus .' ( Hebreus 13:4 )
Existem três grandes divisões que podemos fazer deste texto:
1. Definição do matrimônio.
2. Retribuição do matrimônio.
3. Falsificação do matrimônio.
1. Definição de matrimônio.
Uma das regras que vamos seguir para a interpretação de qualquer texto não é o que nós queremos ler nele mesmo, e sim o que o autor tinha em mente quando o escreveu. É evidente que o autor de Hebreus entende por matrimônio a união de um homem e uma mulher; se trata de uma dessas verdades auto-evidentes, mas que ficam confirmadas ainda por duas poderosas razões: o autor é membro de uma comunidade, a cristã, na que não se concebe outra forma de matrimônio; essa comunidade afunda suas raízes, a sua vez, em outra, a judia, na que o matrimônio é sempre algo relacionado com ambos sexos. À parte destas razões se pode acrescentar outra mais: vive em um tempo, em pleno Império romano, no que, apesar dos desvios e desordens morais de todo tipo que se davam, as leis civis somente sancionavam como matrimônio tal união e nenhuma mais.
Essa união entre homem e mulher não é uma união qualquer, e sim que se trata de um projeto de longo alcance . Tão de longo alcance que é vitalício, encontrando-nos com o que é o projeto de mais longo alcance que se possa ter nesta vida, quanto à duração se refere, já que nem sequer o da profissão é vitalício, pois conclui no momento da aposentadoria. Além do mais é um projeto multidimensional , pois o matrimônio comporta muitas facetas: emocional, física, econômica, espiritual, social, etc. De aí sua complexidade inerente. Por isso precisa de esforço, compromisso e designação.
2. Retribuição do matrimônio.
O matrimônio tem retribuição. Se trata de uma retribuição a priori, quer dizer, que começa já desde o primeiro instante em que duas pessoas se casam . Essa retribuição é auto-retribuição, ou seja, que a leva inerente em si mesmo, pelo que inclusive no caso de que outros se a negaram, entretanto a seguiria tendo. Por tanto, com o matrimônio ocorre como com todas as coisas verdadeiras e autênticas, que em si mesmo tem valor, independentemente de que desde fora se queira outorgar ou não.
Essa retribuição é dupla e consiste, em primeiro lugar, em uma posição de honra que esse estado conduz . Honra é um término que indica dignidade, reputação e nobreza, de modo que os cônjuges são participantes de tal posição. Se trata de uma posição recíproca, de um frente ao outro, que o marido deve estimar a sua esposa como portadora de tal honra e a esposa deve estimar a seu marido como portador do mesmo. Essa estimação recíproca se deve traduzir no trato mútuo. Porém além de ser uma posição de honra para dentro, essa honrabilidade também se expressa para fora, razão pela qual toda sociedade sana deve reconhecer a honrabilidade que o matrimônio tem.
Em segundo lugar, a retribuição consiste na aprovação moral que o ato sexual tem no matrimônio , como se expressa na frase 'leito sem mancha.' Estamos, pois, diante de algo que goza de limpeza e pureza congênita. A algo que tão facilmente se perverte e desordena, como é a sexualidade, aqui se põe um selo de aprovação absoluta. Não tem vestígio, nem suspeita, de algo indigno ou fora de lugar.
Essa honrabilidade e aprovação moral que o matrimônio possui é de alcance universal , não podendo negar-se em determinadas ocasiões, funções ou vocações. É por isso que uma pessoa que serve a Deus pode fazer estando casada, já que se o serviço a Deus é uma honra e o matrimônio é uma honra, o resultado total é uma dupla honra, não uma diminuição do mesmo.
3. Falsificação do matrimônio.
Tudo o que tem categoría e valor é suscetível de falsificação . Deste modo, se pode dizer que a falsificação não é senão o testemunho que, a seu pesar, o falso do verdadeiro, já que nada que não seja valioso é merecedor de ser falsificado.
Todas as grandes marcas tem suas falsificações. Não podia ser de outra maneira com essa grande marca que se chama Matrimônio. Uma falsificação da marca Matrimônio se chama fornicação , que consiste não em um projeto de longo alcance nem multidimensional, senão em um entretenimento ou capricho momentâneo unidimensional, porque tudo fica reduzido à gratificação física.
O adultério é, além de uma falsificação, uma agressão contra o matrimônio , já que supõe a irrupção de uma terceira parte em algo que é exclusivo de dois. É um terreno vedado que é ocupado, por meio do engano e traição, gerando destruição e ruína.
Assim como o matrimônio tem retribuição, também suas falsificações tem. Porém ¡que diferença entre uma e a outra! Ainda no caso de que a sociedade aprove ou seja indiferente às falsificações da marca Matrimônio, com tudo, as tais tem uma terrível retribuição. Retribuição que vem da parte do desenhador do matrimônio, a maneira do juízo de condenação sobre aqueles que as praticam.
Não tem, pois, equívocos possíveis, quanto ao matrimônio, salvo que nós queiramos nos equivocar. Mas esse é outro problema.




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