Cultura

 

100 documentos secretos 

 

O Vaticano vai expor a bulha que dividiu América e o documento de excomunhão de Lutero

 
O Vaticano vai expor a bulha que dividiu América e o documento de excomunhão de Lutero
 
Os 85 kilômetros de prateleiras do Arquivo Secreto Vaticano contém informação inestimável sobre a história da humanidade.

19 DE OUTUBRO DE 2011, CIDADE DO VATICANO

O papa Benedito XVI autorizou para que, por primeira vez, cem importantes documentos de seus arquivos secretos sejam mostrados ao público em versão original, fora dos muros vaticanos.



 A partir do próximo fevereiro, durante sete meses, os Museos Capitolinos de Roma acolheram um tesouro   que incluirá, por exemplo, a carta de León X a Lutero para anunciar que seria excomungado , as atas do processo a Galileu Galilei ou as letras dos parlamentários ingleses a Clemente VII sobre a causa matrimonial de Enrique VIII. Também poderá se ver a bulha de Alexandro VI, de maio de 1493, dirigida aos Reis Católicos, na que repartiu entre Espanha e Portugal as novas terras conquistadas em América.



O papado é a única instituição que manteve, com caráter ininterrupto e durante tanto tempo, um protagonismo dessa relevância na cena internacional. Os 85 kilômetros de prateleiras do Arquivo Secreto Vaticano contém informação inestimável sobre a história da humanidade. Ali está registrada a ação da Igreja e as numerosas complexidades diplomáticas entre os países.



 LUZ NOS ENIGMAS 

Os organizadores da exposição, com o título de ‘Lux in arcana, L'Archivio Segreto Vaticano si rivela’ (Luz nos enigmas, o Arquivo Secreto Vaticano se revela), querem que a amostra tenha um impacto global, que seja visita obrigatória para os historiadores e gere curiosidade entre o público em geral.



 Como estratégia para chamar a atenção, estão dosificando a informação para a imprensa quanto a identidade dos documentos que serão expostos. Existe muita expectação para saber que documentos serão exibidos sobre o chamado "periodo fechado" da Segunda Guerra Mundial. Se trata de material do pontificado de Pío XII  –polêmico candidato a beatificação–, um período que ainda está vetado para a consulta, mas nele que se farão algumas exceções, com permissão expressa da Secretaria do Estado.



 A futura exposição já dispõe de um lugar em internet - www.luxinarcana.org -. A amostra usará ferramentas multimídia e tratará de reviver os documentos com narrações sobre o fundo histórico e os personagens envolvidos. Era inevitável que a Santa Sede escolhesse a própria Roma para a exposição, não só por motivos práticos senão pelo profundo vínculo do papado com a cidade desde o Medieval.



 DIVISÃO DO "NOVO MUNDO" 

 O passado 12 de outubro, exatamente 519 anos depois da chegada de Cristovão Colombo a terras americanas, os responsáveis da amostra e do Arquivo Secreto Vaticano revelaram que entre centenas de documentos de Lux in arcana figurará a bulla Inter cetera de Alexandro VI –o valenciano Rodrigo de Borja– na qual, seguindo critérios geográficos bastante impreciso, distribuiu entre Espanha e Portugal os domínios no Novo Mundo , com a expressa condição de que os habitantes desses territórios fossem evangelizados.



 A bulla alexandrina, chamada também bulla de divisão, tem uma história complexa.  Se realizou uma primeira versão, com data de 3 de maio de 1493, porém seu conteúdo não satisfez aos destinatários porque não ficava clara a divisão territorial. Podia interpretar-se muito favorável a Espanha em detrimento de Portugal, cujo soberano, Juan II, reivindicava também com força seus direitos. Por isso, depois das consequentes gestões diplomáticas, se realizou uma segunda versão, datada retroativamente o 4 de maio de 1493 –ainda que seu relato real foi posterior–, na que Alexandro VI, como árbitro aceito pelas duss partes, estabelecia o domínio espanhol em todos os territórios descobertos, até então e no futuro, situados ao oeste de um meridiano imaginário, a umas cem léguas das ilhas Açores e das ilhas de Cabo Verde.



 Esta divisão geográfica resultou na prática incorreta e inaplicável, porém ao menos estabeleceu um princípio genérico de distribuição. Um ano depois, em 1494, um acordo diplomático hispanoluso, o tratado de Tordesilhas, corrigiu as zonas de influência e moveu em 370 milhas o meridiano fixado pelo papa.



 CÓPIA DE REGISTRO 

A bulha original enviada aos Reis Católicos se conserva no Arquivo Geral de Índias. Porém o documento mãe é o que será exposto nos Museos Capitolinos, a chamada cópia de registro, que se encontra no Registro Vaticano 777 do Arquivo Secreto Vaticano. Segundo explicou a Vanguarda Alessandra Gonzato, porta-voz do arquivo, "a cópia de registro é em realidade a cópia número um, o texto fundamental, a única garantía de autenticidade".



Naquela época as bulhas podíam se perder pelo caminho, ser manipuladas, falsificadas ou destruídas.



 Este último ocorreu, por certo, com a que excomungava a Lutero. A cópia de registro, guardada zelosamente no Vaticano, é a fonte infalível dos atos papais e, no caso da que dividiu América, sua existência, em versão corrigida de uma anterior, explica também as peripécias da negociação diplomática que requeriu o assunto.



Na bulha, Alexandro VI, um papa corrupto e impiedoso com seus inimigos, louva aos Reis Católicos pela recuperação do reino de Granada dos muçulmanos e expressa seu desejo de que "a fé católica e a religião cristã seja exaltada sobre todo em nossos tempos, e por onde quer que se amplíe e dilate, e se procure a salvação das almas, e as nações bárbaras sejan submetidas e reduzidas a fé cristã". Também inclue palabras de admiração até Cristovão Colombo, um "homem apto e muito conveniente" para a empresa que realizou.
 

 

 

Seu comentário

Deixe aqui seu comentário

Normas de uso

> Esta é a opinão dos internautas, não de Protestantedigital.com

> Não está permitido fazer comentarios contrários as leis brasileiras ou caluniosas.

> Reservado o direito de eliminar os comentários que consideremos fora do assunto.

 

TÉRMINOS Y CONDICIONES

1.- In order to be published Para poder ser publicadas, las Cartas se enviarán firmando con el nombre y los dos apellidos, y rellenando todos los campos marcados con asterisco.

2.- El contenido no podrá exceder un máximo de 1800 caracteres (~ 350 palabras, el gestor frena automáticamente una carta que se envíe con más caracteres).

3.- Si se publica, solo figurará el nombre y la firma del remitente, ningún otro dato personal.

4.- En las cartas que hagan alusiones personales o institucionales, sólo se admitirán aquellas que traten cuestiones o información del contenido publicado en Protestante Digital (nunca fuera de nuestro medio) y que tengan relación directa con el tema tratado en Protestante Digital.

5.- Dentro de las normas y la libertad de expresión, pedimos el máximo nivel de respeto y de educación en los términos y calificaciones, centrando las opiniones en las cuestiones ideológicas y el debate de posturas y dejando de lado aspectos personales o los juicios de valor.

6.- La publicación de la carta es independiente de que su contenido coincida o no con la Redacción de Protestante Digital.

7.- No se publicarán enlaces externos que se envíen como parte de la carta.

8.- Se valorará la calidad de la carta, especialmente una aportación diferente a las ya realizadas, de manera que no se publicarán cartas que reiteren exageradamente puntos de visto ya expuestos previamente, obvios, o de sobra conocidos. Se espera cierta creatividad, imaginación y originalidad en las aportaciones de los lectores.

9.- La aceptación de las cartas no es automática, sino previa valoración por el equipo de la Redacción de Protestante Digital, que puede aprobar su contenido, extractarlo eliminando aquello que no cumpla las presentes normas, o denegando su publicación (en cuyo caso no aparecerán publicadas). Intentamos que este periodo sea en general inferior a las 24 horas, y en todo caso menos de 72 horas.

10.- No se mantendrá correspondencia con los autores.

11.- Enviar la Carta confirma la aceptación total de estos términos y condiciones.

12.- Evidentemente, muchos (no todos) de los aspectos mencionados en estas normas tienen un componente subjetivo inevitable. Estamos convencidos de no acertar siempre en nuestros criterios, pero podemos asegurar que sí intentamos ser objetivos, justos y ecuánimes hasta donde nos es posible y somos conscientes.

 

Si nuestra actuación no es correcta a juicio de algún lector, le transmitimos nuestro pesar y les animamos a no dejar de manifestar sus opiniones intentando ceñirse al máximo a los términos y condiciones presentes.

 

Muchas gracias.

 

 

Cerrar