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Domingo 20 DE MAIO

SUPLEMENTO DOMINICAL DE PROTESTANTE DIGITAL

  • Agente de Mudança

     

     

     

    Óscar Margenet Nadal

    Jesus Cristo como paradigma da mudança (I)

     
    Jesus Cristo como paradigma da mudança (I)

     Antecipando sua partida, Jesus está dando uma lição de ecologia a seus discípulos. 

    23 DE OUTUBRO DE 2011

     
     “A morte é provavelmente o melhor invento da vida. É agente de mudança da vida, eliminando o velho para dar lugar ao novo .” Steve Jobs  



     Definido pelo escritor evangélico Andy Crouch  como o “evangelista da esperança secular” , Steve Jobs, o recentemente desaparecido creador do império informático Apple-Macintosh representa aos semeadores do ecletismo ante-cristiano na era Pós-moderna.



    Na mesma linha, o filósofo italiano  Gianni Vattimo  vê a pós-modernidade como “uma espécie de Babel informativa” cuja estrutura vertebral constitue a comunicação e os meios. Segundo ele, estamos no tempo em que vão ficando para trás o pensamiento forte, a metafísica, as cosmovisões filosóficas definidas e as crenças verdadeiras, para dar nascimento ao pensamento débil, a um niilismo terno, e a uma atitude despreocupada.



     Ambos colocam sua esperança no processo de mudança. Um através da tecnología (o que); o outro, através da filosofía (o como) terminaram por despersonalizar a esperança (em quem). 



    Da frase atribuída ao desenhador do logotipo da maçã mordida, queria deter-me alí onde afirma que a morte é o “agente de mudança da vida”.



    Talvez porque sabia, ou talvez sem pretender, com esta frase deu no centro da mensagem evangélica de nosso Senhor Jesus Cristo:  “Em verdade, em verdade vos digo que se o grão de trigo, caindo na terra não morrer, fica só; mas se morrrer, produz muito fruto.”  ( João 12:24 ) 



     



     Antecipando sua partida, Jesus está dando uma breve lição de ecologia a seus discípulos.  Como quando na escola primária nos faziam colocar uma semente no algodão humedecido para vê-lo germinar, Jesus descreve de maneira simples o processo que deve acontecer para que esse pequeno grão se transforme em cereal mais apreciado pelo homem; está preparando a seus seguidores para o momento da traumática separação que iría acontecer depois de poucos dias. E sua mensagem é de esperança, pois sem ela a vida não tem sentido.



     Ele é o grão de trigo que viaja a Jerusalém para cair na terra e morrer . O Mestre da Galilea está falando pouco antes do momento chave da História; dá sinais claros que o dia e a hora que Deus tinha prefixado desde antes da criação do universo está chegando (1ª Pedro 1:19-20; Lucas 9:51). A promessa de Deus depois da caída do homem em pecado (Génesis 3:15) e todas as profecias a respeito do Messias, incluindo a Isaías mais de 600 anos antes de seu nascimento em Belém de Judá, estão a ponto de cumprir-se.



     O filho de Deus e filho do homem começa a viver os momentos críticos nos que o passado está se unindo ao futuro para redimir a Criação. Podemos imaginá-lo vivendo já a inclusão entre o que foi e o que será. Está sofrendo por todos os que creram que chegaría este dia, sem chegar a vê-lo; e leva antecipadamente sobre si a dor desse grupo de escolhidos que irá presenciar com olhos atônitos o cruel processo que se aproxima. “ Ainda tenho muitas coisas que vos dizer, porém agora não o podeis suportar” (João 16:12) diría pouco depois, identificando-se com sua incapacidade.



    Entretando, ainda que pequeno, o grão de trigo é poderoso. Jesús também tem posto seus olhos naquilo que irá produzir-se depois de tanto sofrimento: “Verá o fruto da aflição de sua alma, e ficará satisfeito; por seu conhecimento justificará meu servo justo a muitos, e levará as iniquidades deles.Por tanto, eu lhe darei parte com os grandes, e com os fortes repartirá despojos; por quanto derramou sua vida até a morte, e foi contado com os pecadores, tendo Ele levado o pecado de muitos, e orado pelos transgressores.” (Isaías 53:10-12)



    Em Jesus Cristo acontece o processo de germinação da nova vida que nasce com a morte. E Ele já está vendo-se multiplicado nas douradas espigas abaladas pelos ventos do verão fazendo brancos os campos para a colheita. E imagino em seu firme rosto um leve sorriso por essa antecipação do gozo que o fortalece e afirma para cumprir com seu compromisso.



    O escritor da carta aos Hebreus, sabendo que a mudança é possivel graças a Jesus Cristo, nos recomenda fixar nossos olhos nEle, para não desmaiar enquanto somos transformados. Nos indica claramente quem é nosso modelo, por que Ele é, e por que podemos depositar nEle e só nEle nossa esperança.



     “… olhando para Jesus, o autor e consumador da fé, o qual pelo gozo que lhe estava proposto suportou a cruz, desprezando a vergonha, e se sentou a destra do trono de Deus.”  Hebreus 12:2.



     Um discípulo de Jesus Cristo é um agente de mudanças em um mundo ao que não lhe interessa escutar nem falar de desenvolvimento sustentável, de ecología ou de meio ambiente; habitado por muita gente cansada de falsas promessas eleitorais, defraudada por financeiros ávaros e corruptos, escandalizada por religiosos que pregam o que não vivem, indignada por protestar sem ser escutada e decidida a morrer agarrada ao que soube conseguir com seu próprio esforço.  



    Para cumprir com sua tarefa o discípulo de Cristo se enfrenta a um mundo que morrre firme a sua paradóxica visão da vida; e põe seus olhos em Jesus cristo, o paradigma da vida que surge vitoriosa da morte.



    Nas próximas quatro entregas tentaremos abordar como é e que implica o processo de transformação do grão de trigo na formação e o desenvolvimento de um agente de mudança ao serviço do propósito divino.

     

     

     

     

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